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20/07/2018

Roubo de dados dobra no primeiro semestre de 2018

Sequestro de informações no ambiente virtual é uma ameaça constante e se apresenta como uma das principais preocupações de diversas instituições, incluindo os tribunais de justiça. Afinal, os programadores mais hábeis conseguem invadir um computador explorando falhas nos softwares para acessar e receber arquivos e informações de toda natureza por meio da internet.

Um relatório da SonicWall, empresa de segurança da informação, traz um dado alarmante sobre o mercado de internet mundial. O número de ataques de malware dobrou nos primeiros seis meses de 2018 em comparação com o ano passado.

Segundo matéria do Canal Tech o documento da empresa, chamado Relatório de Ameaças Cibernéticas 2018, traz dados detalhados sobre os perigos digitais. Ao todo, foram registrados no primeiro semestre deste ano em todo mundo 5,99 bilhões de ameaças a computadores, servidores e outros sistemas de rede. O número é 102% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram constatados 2,97 bilhões de casos.

De acordo com o estudo, os tipos de ataques mais preocupantes envolvem o ransomware, programa malicioso que “rapta” a máquina do usuário e cobra um resgate para devolver os dados. Só nos primeiros seis meses de 2018, já foram registrados 181,5 milhões de casos de ransomware, representando um aumento de 229% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

Segundo o levantamento houve aumento de 275% no número de sessões criptografadas pelos padrões SSL/TLS entre os primeiros semestres de 2017 e 2018. Diante dessa tendência, a previsão é que a violação de dados criptografados se torne cada vez mais recorrentes.

Nos tribunais, esse tipo de ameaça merece atenção, já que o sequestro de informações de processos, entre outras informações confidenciais cadastradas nos softwares jurídicos, pode ter consequências irreversíveis. Diante desse cenário, o desafio do setor de segurança da informação é estabelecer novos padrões ou mesmo melhores dispositivos a fim de assegurar o avanço dos ataques cibernéticos.

Em maio, entrou em vigor a Lei da União Europeia que protege dados pessoais e que pode ventilar o Marco Civil da Internet no Brasil. Entre os pontos de destaque está a exigência para que vazamentos sejam comunicados em até 72 horas e a possibilidade da aplicação de multas severas. O Regulamento Geral de Proteção de Dados (mais conhecido pela sigla em inglês GDPR) é um conjunto de regras é válido aos países do grupo europeu, mas deve promover reflexos em outros lugares do mundo.

Reflexos no Brasil

O Nexo conversou com dois especialistas em direito digital para saber quais são, para eles, os destaques da nova lei e para entender melhor o impacto do novo regime legal europeu sobre os usuários brasileiros. Jacqueline de Souza Abreu, doutoranda em Direito na USP (Universidade de São Paulo) e coordenadora da área de Privacidade e Vigilância do Internetlab, centro de pesquisa de São Paulo voltado à intersecção de direito e tecnologia, foi uma das entrevistadas.

Ela afirmou ao site que “o GDPR é o novo paradigma e será utilizado como baliza para construção de um modelo para o Brasil e outros países. Mas haverá ainda muita disputa: muitos atores vão ainda dizer que o GDPR espelha tradições europeias que colocam muito peso na privacidade em detrimento de outros interesses, e que países com história e níveis de desenvolvimento distintos precisam de diferentes modelos mais flexíveis.”

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