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17/05/2017

A Santa Casa de Misericórdia da Bahia

Baltazar Miranda Saraiva é desembargador do TJBA e
Vice-Presidente Social, Cultural e Esportivo da ANAMAGES

*Baltazar Miranda Saraiva

 

A história da Santa Casa começa em Lisboa, no ano de 1498, quando foi fundada pela Rainha Dona Leonor (1458-1525), uma princesa da Casa de Avis, Rainha de Portugal a partir de 1481, pelo casamento com seu primo Dom João II de Portugal, o Príncipe Perfeito, que pela sua vida exemplar, pela prática constante da misericórdia, e mais virtudes cristãs, alcançou de alguns historiadores o epíteto de Princesa Perfeitíssima. Aqui na Bahia essa entidade nasceu juntamente com Salvador, pelas mãos do governador-geral Thomé de Souza, com os mesmos ideais de servir aos mais carentes e necessitados. Ao longo dos séculos a Santa Casa vem acolhendo enfermos, apoiando os pobres e abrindo espaço para celebrações sociais, além de contribuir para a formação intelectual e capacitação profissional dos jovens sem recursos.

Com a fundação das primeiras vilas do Brasil, foram necessárias a criação de casas de saúde, ou seja, os primeiros hospitais da época, sob os cuidados da Santa Casa de Misericórdia. O primeiro deles ocorreu em Porto Seguro, conforme confirmação em carta de Dom João V, em 1718. Outra referência a um hospital administrado pela Santa Casa foi feita pelo historiador pernambucano Francisco Augusto Pereira da Costa, que faz referência à Casa de Saúde de Olinda, naquele estado, em 1540.

Em 1543, Braz Cubas inaugurou o Hospital de Todos os Santos, na capitania de São Vicente. O alvará de privilégios para esse hospital foi dado por D. João III, em 2 de abril de 1551.

Do ponto de vista histórico, a primeira Santa Casa foi construída na Bahia, conforme registro feito pelo monsenhor Murilo César Lima em seu livro Breve História da Igreja no Brasil, em 2004. Quanto à fundação do primeiro hospital, não há, propriamente, uma confirmação absoluta do registro, mas, segundo alguns historiadores, o primeiro foi o dedicado a São Cristóvão, que depois foi transferido para o bairro de Nazaré, atualmente conhecido como Hospital Santa Izabel.

Outros afirmam que esse hospital recebeu, primeiramente, o nome de Hospital da Caridade, hoje referência no atendimento das mais variadas especialidades, serviços médicos de alta complexidade e apoio diagnóstico/terapêutico, resultado do investimento permanente na modernização de seus equipamentos, instalações e serviços.

Em muitas cidades baianas foram fundadas outras Santa Casa, mas a mais conhecida é a Santa Casa da Misericórdia, que abriga a Igreja de Nossa Senhora da Vitória, nascida como uma capela no interior de sua enfermaria. Atualmente funciona no local o Museu da Misericórdia, com obras de arte de valor inestimável, na Rua da Misericórdia, no Centro Histórico de Salvador. Aí se encontram as naves com os seus azulejos, reproduzindo a procissão dos fogaréus, que a Irmandade realizava na noite da Quinta-Feira Santa, além de sua famosa torre.

Nas ações sociais, a Santa Casa atende a comunidade carente de Salvador atuando nas áreas de saúde e educação, além da formação profissional e exercício da cidadania, possuindo uma equipe da mais alta qualidade técnica e científica. Seu legado histórico contempla as ações culturais nas áreas das artes e do turismo através do Centro de Memória Jorge Calmon, o Museu da Misericórdia e a Igreja do mesmo nome.

Registre-se que um dos mais sofisticados e requisitados espaços de eventos de Salvador, o Cerimonial Rainha Leonor, desempenha o importante papel em nossa cultura, patrocinando eventos cuja renda é revertida para as obras sociais da Santa Casa.

Em seus multicentros, quase 40 mil atendimentos mensais são realizados. A importância da Santa Casa da Bahia, na atualidade, é destacada pelo seu reconhecimento histórico e a sua qualificação enquanto instituição, parceira do poder público no desenvolvimento de políticas de direito e proteção social.

A importância da Santa Casa como organização empreendedora voltada para o futuro é bastante plural e participativa, exigindo constantes modernizações de seu acervo técnico e pessoal, sempre implantando novos modelos de gestão profissionalizada e fundamental.

Com esse sentimento de admiração e respeito, externo minha gratidão como novo membro dessa entidade, que muito me honrou ao receber-me como irmão. Segundo Alphonse Karr, algumas pessoas reclamam que rosas tem espinho, mas ele expressava sua gratidão porque os espinhos têm rosas.

Realmente, a gratidão é como uma rosa, mas é também emoção que expressa o apreço por aquilo que se tem, que pode ser venerada por aqueles que a cultivam. De minha parte, sou grato aos irmãos da Santa Casa de Misericórdia da Bahia por terem me recebido com tamanha simpatia e afeto. Confesso que esses sentimentos são recíprocos, pois estão associados aos meus sentimentos de otimismo e simpatia para com essa extraordinária entidade.

Contribuir com os irmãos da Santa Casa da Bahia para o seu desenvolvimento é um desafio que faz crescer aquele que o aceita, aprendendo, cada vez mais, como construir uma vida melhor. A Santa Casa permite isso.

*Baltazar Miranda Saraiva é desembargador e membro da Comissão de Igualdade do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), e representa a magistratura como participante da Diretoria Executiva da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES), na condição de Vice-Presidente Social, Cultural e Esportivo. Texto publicado originalmente no portal Jornal Grande Bahia.

 

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